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Andy Warhol costumava ter sua trupe de contribuidores e pessoas inspiradoras, os intitulados “Warhol’s Superstars”. A Haus Of Jota també...

Robbie: O garoto além dos gêneros


Andy Warhol costumava ter sua trupe de contribuidores e pessoas inspiradoras, os intitulados “Warhol’s Superstars”. A Haus Of Jota também possui uma série de contribuidores e pessoas inspiradoras e nós costumamos brincar chamando-as de “Jota’s Superstars”. Uma dessas figuras chama-se Roberto Júnior, mas nós da Haus preferimos chamá-lo apenas de Robbie. Convidamos o Robbie para um papo e falamos sobre negritude, orientação sexual, gênero representatividade e outras coisas.
Acho que talvez essa seja a primeira vez que você é entrevistado para uma publicação online, mas nós sabemos que essa não é a primeira vez que você é entrevistado. No inicio desse ano você foi entrevistado para um canal de televisão durante o carnaval.  A Jornalista dizia que “O Carnaval era a época do ano em que as pessoas podiam se sentir livres para se expressar artisticamente”. Durante a entrevista, você falou sobre usar sua roupa para se mostrar da forma como se sente e como você quer ser visto. Sendo assim, você acredita que o seu modo de se vestir é um ato artístico ou um ato político? Qual o maior erro que as pessoas cometem quando elas comentam sobre sua forma de se vestir?
Posso dizer que é um ato político junto com a minha obsessão por arte. Na verdade, é uma mistura de ambos. Perante essa sociedade machista, lgbttfóbica e sem sombras de dúvidas racistas, eu enxergo como um ato político. Eu uso meu corpo e minha forma de vestir como uma forma de escancarar e questionar o machismo, a lgbtfobia e o machismo.  Agora, o erro que as pessoas cometem quando elas comentam sobre minha forma de vestir é unicamente o preconceito enraizado que elas trazem junto consigo. Muitas vezes, a falta de informação ou até mesmo o distanciamento delas com questões de gênero e orientação, as levam a reproduzir homofobia e transfobia. Não podemos nos esquecer de falar que para muitos, o modo como eu me visto, me expresso e falo é encarado como uma tentativa de chamar atenção. (risos)
Tem gente que acha legal sua forma de se vestir, tem gente que não. Qual a coisa mais bacana e qual a coisa mais absurda que você já ouviu?
É muito bacana quando saio na rua e percebo que algumas pessoas chegam até a me parar para me elogiar, ou até mesmo de forma educada me questionar ou tentar entender sobre o que há por trás de tudo isso. É bom saber que ainda assim posso sair e me sentir querido, porque eu fui excluído de certa forma depois que assumir os riscos de ser quem eu sou hoje. A coisas mais absurdas que venho escutando é: "Quem é esse demônio?", " Que coisa horrível!". Sabe? Essas coisas que só gente sem um pingo de empatia pode te dizer. Isso tudo mexe com teu psicológico.
FOTO: Jota Leal e Carolina Amazonas
Sobre preconceito, como é lidar com ele fora e dentro da própria comunidade LGBT?
Preconceito, né? Olhe, sendo bem sincero contigo e comigo mesmo, eu tenho trabalhado o meu psicológico durante um ano com relação a isso. Nesses tempos em que vivemos estamos propício a todo o tipo de repulsa e repreesão vindo de pessoas que não conseguem se colocar na posição do outro. É tudo muito complicado, mas eu resisto e persisto na busca de um mundo melhor, onde todos possam viver e fazer de suas vidas o que quiser.  Eu também não consigo entender porque sofro preconceito dentro d apropria comunidade LGBT. São coisas absurdas que acontecem e eu tenho muitos questionamentos e criticas duras para fazer à sigla “G”. É inadmissível para mim ouvir gay reproduzir discurso homofóbico. Mas eu sigo e frente. Não vou me submeter aos padrões, muito menos ao padrão gay aceito dentro da comunidade.

Como você enxerga as questões de negritude dentro do movimento LGBT? Você acha que existe uma abertura para se discutir racismo dentro do movimento, ou você ainda enxerga o movimento muito eurocentrado?
Tudo anda ainda muito eurocentrado, mas depende de nós tomar uma posição. É preciso que a gente ocupe o espaço dos que querem falar por nós no debate.  Precisamos levantar o debate e expor nossas vozes. É complicado quando alguém que não passa pelas coisas que passamos queira nos representar. Muitas vezes somos silenciados. Não há abertura. Inclusive, tem gente que nega a existência do racismo, mas acredita em racismo reverso. Eu acredito que cabe a nós, negros gays não se deixar calar e se juntar para fazer o que eles nunca farão por nós.
Foto: Jota Leal e Carolina Amazonas
Agora, mudando completamente de assunto, mas ainda falando sobre negritude, você participou de um ensaio fotográfico com o Jota intitulado “Olokun”, onde você interpretava uma divindade africana. Como foi isso? Você já tinha feito algum trabalho fotográfico antes?
Olhe, experiência desse tipo ainda não tinha vivido, mas estava fazendo parte de um projeto intitulado "Spirit fashion". A experiência foi maravilhosa. Foi a primeira vez que fui a Praia do Saco, é lindo lá. (Indico pra quem está aí se perguntado o que fazer em Aracaju). O ensaio era temático e para mim foi uma das melhores experiências já vivida, pois eu já fiz teatro e dança afro então é algo que fluiria muito bem e o melhor disso tudo era representar de alguma forma minha raça e nossa cultura.

Você pretende seguir carreira como modelo dentro do mercado publicitário de Aracaju? Como entrar em contato com você?
Eu pretendo seguir como modelo sim. Estou aberto a novas oportunidades gosto de fazer de tudo um pouco. Para entra em contato comigo e só me manda mensagem pelo direct no instagram (@jrlves) ou por meu e-mail (jrtelles@gmail.com).